:::: MENU ::::

Seja Bem-Vindo! | Role a tela para baixo...



4 | AS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA LÍNGUA UCRANIANA E SUA
PRESENÇA E IMPORTÂNCIA NA COMPOSIÇÃO DA IDENTIDADE ÉTNICA DA
COMUNIDADE DE RONCADOR – PR


Como já destacado, as manifestações culturais do povo ucraniano estão,
intrinsecamente, ligadas à religião. Preservar a cultura tem relação com a preservação
da religião e vice-versa. Por isso, é tão importante para os descendentes de
ucranianos manterem a língua, pois esta é e está ligada ao patrimônio cultural desta
descendência.
Os ucranianos falam uma língua própria, de origem eslava, que se assemelha
ao russo e ao polonês. Dentre os descendentes desses imigrantes que vivem hoje
no Paraná, muitos ainda utilizam a língua ucraniana entre si, e mesmo dentre os
que não dominam a língua certas expressões ainda são vastamente utilizadas
no cotidiano. É por isso que ela desempenha um papel decisivo na formação da
individualidade e identidade de cada um dos seus falantes e, ao mesmo tempo, do
costume nacional de um povo.


É na e pela língua que cada comunidade de falantes contextualiza e categoriza

a realidade extralinguística. Mas o caminho do mundo real para os conceitos
e, posteriormente, para a sua expressão verbal varia de povo para povo,
resultando em quadros linguísticos e conceptuais bastante distintos. Tal situação
explica-se pelas diferenças na história e nas condições de vida de cada nação,
e pelas especificidades do desenvolvimento das suas consciências coletivas.
(PLIÁSSOVA, 2007, p. 1).


A Ucrânia não apresenta um cenário linguístico simples, e a prova disso é
que em grande parte do seu território, nas suas mais diversas regiões e nos seus
diferentes ambientes sociais surge, ao lado das línguas russa e ucraniana, uma
formação linguística peculiar deste país – o surzhik.


A definição mais exata de surzhik é a de uma língua mista, que, na sua versão

clássica, concilia em si a pronúncia e a estrutura gramatical próprias da língua
ucraniana com o léxico oriundo da língua russa. É claro que o vocabulário do
surzhik varia bastante de acordo com os espaços geográficos, havendo um maior
número de vocábulos de origem russa nas regiões mais a sul e a oriente. Nas
zonas mais ocidentais, é notória a diminuição do número desses vocábulos e o
aumento do número de palavras provenientes da língua ucraniana. (PLIÁSSOVA,
2007, p. 3).


Em 1989, o Ucraniano foi proclamado a única língua oficial da República, mas a
legislação previa as condições de funcionamento da língua russa, que nunca deixou
de ser utilizada. É também a língua de muitos ucranianos residentes em outros
países, nomeadamente nas sete Federações da Rússia, na Moldávia, na Polônia,
na Eslováquia, na Romênia, na Hungria, na República Checa, na Alemanha, em
Portugal, no Brasil, no Canadá e nos EUA. (PLIÁSSOVA, 2007, p. 4).

Os imigrantes, após fixarem-se em Roncador, reavivaram a cultura ucraniana
na localidade, buscou-se de geração a geração até os dias atuais a manutenção
da língua ucraniana, mas não conseguiram preservá-la totalmente devido às
miscigenações entre as etnias existentes, e pelo uso da língua oficial do Brasil,
o português. A língua ucraniana foi preservada por meio de instituições religiosas,
educacionais e pela imprensa. Em regiões rurais, o ucraniano continua sendo a
língua dominante de inúmeras famílias.

Diante disso, Roncador apresenta um cenário sociolinguístico complexo
que propicia o contato das crenças e atitudes relacionadas a essas línguas e a
seus usuários, já que tal cenário favorece manifestações tanto positivas (prestígio
linguístico) quanto negativas (desprestígio linguístico) frente aos falares locais.
Goffman (1963, p. 6) vê a categorização dos indivíduos como algo necessário
ao convívio social, mas alerta que é essa mesma categorização que está na base da
estigmatização, ou seja, da atribuição de uma característica vista como discrepante
– e negativa – com relação aos atributos considerados naturais, normais e comuns
do indivíduo. No âmbito da linguagem, o estigma relacionado a uma língua ou
variedade linguística pode levar os falantes a pararem de usá-la, colaborando para a
substituição da língua ou variedade desprestigiada por uma de maior prestígio.

Aguilera (2008) destaca que a língua não está desvinculada de seu contexto
social, principalmente na sua condição de aspecto constituidor da identidade de
determinado grupo étnico. Decorre daí que, “na maioria das vezes, ao caracterizar
um grupo ao qual não pertence, a tendência é o usuário fazê-lo de forma subjetiva,
procurando preservar o sentimento de comunidade partilhado e classificando o outro
como diferente” (AGUILERA, 2008, p. 106). Afinal, é a língua que simboliza os limites
que separam o “nós” e os “outros”, uma vez que a língua que falamos identifica
nossa origem, nossa história, nossa cultura e o grupo a que pertencemos.

5 | CONSIDERAÇÕES FINAIS
A partir deste estudo, evidenciamos que os descendentes de ucranianos,
vindos para o município de Roncador no momento da sua colonização, conseguiram
estabelecer suas representações e traços culturais na configuração espacial da
região, sendo visivelmente identificados. Essa cultura proporcionou elementos que
foram primordiais e determinantes para que o município de Roncador construísse sua
identidade cultural atrelada à presença e atuação dos descendentes de ucranianos
na região.
Constatamos que a igreja do rito ucraíno-católico opera como um centro
preservador da cultura e da língua ucraniana e que esse rito surgiu da necessidade
de asseverar os costumes, as crenças e a religiosidade dos colonos de descendência
ucraniana.
De acordo com as pessoas consultadas, nativas de Roncador, o desejo da
comunidade é manter a sua cultura e, sobretudo, a sua religiosidade nos moldes em
que foram criados os seus pais. Para tanto, é preciso ensinar o pouco que sabem e,
como eles mesmos dizem, “não abandonar a terra-mãe”.

Referências

Fonte: Letras, Linguística e Artes: Perspectivas Críticas e Teóricas 3

Atena editora 2019

Ivan Vale de Sousa (Organizador)


Capítulo 2 a 10.

A CULTURA UCRANIANA E SUA TRAJETÓRIA NO MUNICÍPIO DE RONCADOR – PR

Ana Flávia Slobodjan dos Santos

Loremi Loregian-Penkal

DOI 10.22533/at.ed.0551909102


3 | TRADIÇÕES, ARTES E COSTUMES PRESERVADOS NO BRASIL E NA
COMUNIDADE PRESENTE EM RONCADOR.

3.1 Religiosidade


A Ucrânia é um país repleto de tradições, artes e costumes, os imigrantes
trouxeram consigo grande parte deste acervo cultural, como forma de preservar sua
história em seu novo modo de vida. Destacam que buscam com estas tradições
trazer um novo colorido á terra que os acolheu e lhes serviu de nova pátria. De
acordo com Arroyo (1994), nós seres humanos somos culturais, nos construímos
como tal em nosso processo de formação e humanização. Sermos sujeitos culturais
não é algo acidental à nossa condição humana.

Uma das principais características dos ucranianos é a religiosidade. A maioria
dos ucranianos são católicos do rito oriental e uma pequena parte é de ortodoxos.
Na comunidade de Roncador o rito mias seguido é o oriental.

O rito oriental está em plena comunhão com o papa, ou seja, são as igrejas
cristãs surgidas a partir das províncias orientais do Império Romano, caracterizadas
por uma multiplicidade de tradições e ritos litúrgicos, sendo predominante a tradição
bizantina e seu rito correspondente, também chamado de rito bizantino, pode
significar um rito litúrgico.

A liturgia bizantina, da qual a ucraniana é um ramo, tem origem na de Jerusalém,
de São Tiago, reformada por São Basílio Magno e abreviada por São João
Crisótomo, no século IV. Foi logo aprovada pela Igreja, sendo seguida até hoje
por grande número de cristãos do Oriente e pelos fiéis do rito ucraniano, o qual é
todo celebrado na língua ucraniana (BORUSZENKO, 1969, p. 431).

As cerimônias das missas são cheias de simbolismo, um dos que mais chama
a atenção na liturgia é o celebrante, pois este é considerado como o guia, o pastor
que caminha diante do rebanho para conduzir os fiéis para as fontes de graça e da
salvação, por isso o mesmo celebra a missa de costas para o povo. (HISTÓRIA DE RONCADOR TERRA DA FÉ, 2015, p. 4).




Figura 5: Celebração litúrgica ucraniana do rito bizantino
Fonte: http://pilulasliturgicas.blogspot.com.br/2012/11/divina-liturgia-na-memoria-de-sao.html. Acesso em
20/02/1017.

A Igreja ucraniana, para reviver importantes acontecimentos da história da
criação e redenção do homem, apresenta uma ordem de tempo de celebrações destes
mistérios, tendo no mínimo 10 principais “dias santos” durante o ano, celebrações
estas sempre rezadas e cantadas na língua ucraniana.

Desde a chegada dos imigrantes até hoje, a principal fonte de preservação e
ensinamentos religiosos na comunidade São Nicolau é a catequese. A catequese faz
parte da ação evangelizadora da Igreja que envolve aqueles que aderem a Jesus
Cristo. Catequese é o ensinamento essencial da fé, não apenas da doutrina como
também da vida, levando a uma consciente e ativa participação do mistério litúrgico
e irradiando uma ação apostólica. Segundo o Documento de Puebla (1979) e a
afirmação dos Bispos do Brasil, a catequese é um processo de educação da fé em
comunidade, é dinâmica, é sistemática e permanente.

A catequese é ministrada aos sábados pelas Irmãs servas de Imaculada
Conceição, como também por catequistas leigas. Além da parte religiosa elas
disponibilizam à comunidade vários cursos com a finalidade de aproximar os
participantes de costumes e hábitos do país de origem, entre eles estão a língua,
a dança, a arte e a culinária. Bem como, há a oferta de cursos de língua ucraniana
como forma de manutenção e divulgação da língua.

3.2 Dança Folclórica

A dança popular é uma das mais antigas expressões da cultura do povo
ucraniano, se origina geralmente nas manifestações de cultos religiosos, em particular
nas celebrações ligadas às mutações da natureza. As danças folclóricas ucranianas
destacam-se por serem realizadas ao ar livre, coreografias próprias das planícies da
Ucrânia, compostas por movimentos rotativos, com formações de figuras e linhas
geométricas, encantam a todos que assistem pelo seu ritmo vibrante, de confiança,
coragem e principalmente exuberância de seus trajes e acessórios.

Segundo o livreto da História de Roncador terra da fé 2015., as danças são
divididas em três categorias, danças em grupos, aos pares e individuais. As danças
em grupos representam os festejos e cerimônias antigas, já as danças em pares
lembram as expressões dos sentimentos e ocorrências humanas, e por fim as danças
individuais trazem consigo as reminiscências das antigas competições e desafios.

As danças também são descritas como “circulares”, ligadas a uma festa
específica, temas religiosos e espirituais, e como “sociais”, as danças costumeiras,
que refletem o cotidiano das pessoas e são dançadas em casamentos e festas em
geral. As danças circulares refletem um misticismo único e simbologias particulares.
Já as sociais podem ser dançadas em qualquer tempo ou lugar. Um exemplo de uma
dança bastante conhecida é a Kolomeika, dançada em casamentos, Vilson (2010, p.

01) destaca que:
O korovai (коровай) é um dos elementos fundamentais do casamento tradicional
ucraniano. O mesmo consiste num grande pão doce, arredondado, que recebe na
parte superior adornos feitos com a própria massa, em forma de lua e estrela que
são representações do casal (...). A dança do korovai, ao som das “kolomeikas”
é um dos principais momentos dos casamentos ucranianos, onde a alegria é
contagiante. O korovai é um símbolo do sol e do amor que deve habitar em suas
vidas, é uma homenagem aos noivos e uma bênção para o seu casamento.


3.3 Cantigas Populares

Nas canções ucranianas reflete-se a história, a vida, os costumes e os
sentimentos sobre a Ucrânia, pois tratam de fatos da vida camponesa, dos encontros
e desencontros das relações amorosas, da vida cotidiana, são canções nacionalistas,
que convocam o povo ucraniano a lutar por seu país. A Ucrânia foi durante a maior
parte de sua história dominada por outras nações, e os temas heróicos surgem
assim frequentemente no repertório musical dos membros da etnia.

Uma das tradições mais antigas que é preservada em Roncador e envolve as
cantigas ucranianas é a “Kolhadá” (canções natalinas).

As Koliadê ocorrem no dia de Natal. Formam-se grupos de cada faixa etária, que
circulam entre as casas dos membros da comunidade e cantam estas canções
(Коляда – Koliadá – é o nome tanto do ritual quanto das canções). Os grupos são
recebidos, cantam e declamam uma mensagem desejando saúde e prosperidade
para o ano seguinte. O dono da casa serve então comidas e bebidas e, no final
da visita, faz uma colaboração em dinheiro para a paróquia (PREFEITURA DE
RONCADOR, 2016, p. 01).

Atualmente a paróquia de São Nicolau, tendo como objetivo a preservação das
cantigas populares na comunidade, criou o coral Vesná, parte do resgate da cultura
ucraniana de Roncador, desenvolvida pela Associação Vesná, cujos trabalhos
iniciaram no ano de 2015.


Fotografia: Eluir Ribeiro Junior / arquivo pessoal Associação Vesná de Roncador

3.4 Artesanato

O artesanato ucraniano tem raízes nos hábitos agrários e é representado
pelos bordados e pinturas de desenhos seculares, cerâmica, entalhe em madeira,
tecelagem, xilogravura, pintura de bonecas e de ovos típicos, as famosas pêssankas,
importantes elementos da cultura que ainda conservam inúmeras características
bizantinas.
Um dos principais ícones do artesanato ucraniano são as pêssankas, “contase
que os povos na era pagã decoravam ovos para dar as boas-vindas ao sol,
festejando a primavera para assegurar fertilidade ao homem, à terra e aos rebanhos:
A pêssanka simbolizava, assim, o renascimento da terra na primavera” (ZANELATTO,
2013, p. 1).
Pysanky, pysankla e pêssanka são palavras que derivam da palavra ucraniana
“pessaty”, que significa escrever. A arte de colorir os ovos ficou assim denominada
pelo fato de ser expresso algo por meio dos desenhos, das formas e das cores
utilizadas. Dar uma pêssanka é dar um presente simbólico da vida, pois o ovo em
sua simbologia deve renascer por inteiro, além disso, cada um dos desenhos e das
cores da pêssanka possui um significado profundo. Tradicionalmente, os desenhos
são escolhidos para combinar com o caráter da pessoa a quem a pêssanka será
dada como presente. (HISTÓRIA DE RONCADOR TERRA DA FÉ, 2015, p. 14)
.
“Há indícios de que os ucranianos produziam pêssankas desde 3.000 a.C., com
ferramentas rústicas e desenhos não tão elaborados como os de hoje em dia.
Como os ucranianos veneravam a natureza, antes da conversão ao cristianismo,
na Festa da Primavera ofereciam presentes ao deus Dajbóh, equivalente a Apolo,
e entre eles sempre se encontravam pêssankas. Quando o príncipe Wolodymir
adotou o cristianismo como religião oficial do país, o clero adaptou a arte dos
ovos decorados à nova realidade e eles passaram a ser uma tradição de Páscoa”
(MICHALZECHEN, 2013, p. 01).
A pêssanka é feita, tradicionalmente, durante a última semana da Quaresma,
que é festejada no calendário católico e ortodoxo. Os ovos pintados são levados à
Igreja na celebração no sábado de aleluia para serem abençoadas pelos sacerdotes.
Estes ovos carregam as camadas mais profundas do misticismo religioso para os
ucranianos, pois acreditam que ao ofertar ou receber uma pêssanka esta traz consigo

fortuna, prosperidade, saúde e proteção, sendo considerada como um talismã
de proteção e não apenas um elemento decorativo. (HISTÓRIA DE RONCADOR
TERRA DA FÉ, 2015, p. 14).


Foto: Rafaela Korpan / Arquivo pessoal da Associação Vesná de Roncador

Continua...

Referências

Fonte: Letras, Linguística e Artes: Perspectivas Críticas e Teóricas 3

Atena editora 2019

Ivan Vale de Sousa (Organizador)


Capítulo 2 a 10.

A CULTURA UCRANIANA E SUA TRAJETÓRIA NO MUNICÍPIO DE RONCADOR – PR

Ana Flávia Slobodjan dos Santos

Loremi Loregian-Penkal

DOI 10.22533/at.ed.0551909102


2 | A INFLUÊNCIA DA IMIGRAÇÃO DO POVO UCRANIANO NO PROCESSO DE
COLONIZAÇÃO DO MUNICÍPIO DE RONCADOR – PR

O município de Roncador localiza-se na microrregião Centro-Oeste do Estado
do Paraná, limita-se ao norte com os municípios de Luisiana e Iretama, ao sul com
Palmital e Mato Rico, ao leste com Nova Tebas e ao oeste com o município de
Nova Cantu. De acordo com o IPARDES (Instituto Paranaense de Desenvolvimento
Econômico e Social), tendo como fonte os dados divulgados em 28 de agosto de
2015 pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), estima-se que a
população atual do município é de 11.065 habitantes. A localização da cidade de
Roncador pode ser conferida na Figura 1.


Figura 1: Localização do município de Roncador no Estado do Paraná.
Fonte:https://pt.wikipedia.org/wiki/Roncador#/media/File:Parana_Municip_Roncador.svg. Acesso em 16/02/1017.


Na figura 2, temos os municípios que fazem divisa com a localidade que serviu
de base para a investigação aqui relatada.



Figura 2: Municípios que fazem limites com Roncador, Paraná

Fonte: http://www.ipardes.gov.br/cadernos/MontaCadPdf1.php?Municipio=87320. Acesso em 16/02/1017.



No processo de colonização do município de Roncador, os colonos-posseiros
também estavam presentes, em 1923 chegaram as primeiras famílias ucranianas ao
local, estes partiram de Guarapuava como Comissão Exploradora de Terras, tendo
a missão de abrir o terceiro “Picadão”, “os caminhos primeiramente eram trilhas,
picadas em matas fechadas, com muitos obstáculos como rios, rochas, subidas
inclinadas, que dificultavam a vida dos tropeiros” (STECA e FLORES, 2002, p.17),
ou seja, ainda não havia um trecho que ligava Guarapuava, Campo Mourão e Mato
Grosso. Quando passavam pela região, acampavam próximos a um rio que, à noite,
com as ventanias, formava um ronco alto em meio à copa dos pinheiros e à queda
d’água. A partir disso deram o nome ao rio de Roncador, onde mais tarde, em julho
de 1960, passou a ser o nome da cidade. (PREFEITURA DE RONCADOR, 1986, p.
3).


Figura 3: Queda D’agua que originou o nome do município de Roncador
Fonte: http://wibajucm.blogspot.com.br/2011/06/roncador-nasceu-de-um-rio.html. Acesso em 18/02/1017.

Os desbravadores, ainda no ano de 1923, começaram a colonização do
município, que se estendeu até o ano de 1925, onde aos poucos a densa mata
e os pinheirais foram dando lugar a pequenas plantações e criações de suínos.
As famílias que ali chegaram trouxeram consigo sua cultura, idioma, costumes e
seu rito, implantaram na colônia de Roncador suas heranças trazidas da Ucrânia.
(PREFEITURA DE RONCADOR, 1986, p. 3).

Em 1935 a colônia ucraniana de Roncador passou a ter a presença religiosa do
Padre Benedito Melnyk, que vinha a cavalo de Prudentópolis e celebrava as missas
nas casas dos moradores. Para o povo ucraniano, a igreja é a fonte para a vida
espiritual, lugar da força moral e da consciência religiosa, se mostram conservadores
em sua fé em Deus e a suas tradições. A primeira igreja foi construída entre 1930 a
1940, para sua elaboração contaram com o auxílio dos membros da comunidade,
usando como material principal a madeira extraída dos pinheiros locais.

Já no ano de 1960 foi construída a atual igreja de alvenaria, sendo concluída em
1970, com os padrões das matrizes da Ucrânia. As igrejas do rito Bizantino possuem
grandes simbologias em sua arquitetura, tanto em sua parte interior como exterior,
a principal delas é a construção das igrejas em forma de cruz, a mesma é dividida
em três partes, a entrada é chamada de vestíbulo, o corpo da igreja é a nave e o
santuário é o altar. Na parte exterior o que também chama a atenção são as cúpulas,
que podem variar de acordo com um esquema de significados.

A igreja ucraniana de Roncador possui duas cúpulas que simbolizam as duas naturezas de Jesus:
Homem-Deus. No interior da igreja nota-se que no centro geralmente encontra-se o
ícone do padroeiro da comunidade e o IKONOSTÁS, parede coberta de ícones de
santos que separa o santuário, observa-se também que as janelas sempre estão em
grupos de três, e representam a unidade da Santíssima Trindade, destacam ainda
que o altar é, ao mesmo tempo, trono do Senhor, a mesa da ceia e o calvário do
sacrifício. (HISTÓRIA DE RONCADOR TERRA DA FÉ, 2015, p. 3).


Figura 4: Paróquia do rito ucraniano São Nicolau no espaço urbano de Roncador em 2015
Fonte: http://www.centralr3.com.br/112015.html. Acesso em 20/02/1017.

No dia 10 de fevereiro de 1952 chegaram as primeiras Irmãs Servas da
Imaculada Virgem Maria, estas iniciaram a formação e fundação da Escola Nossa
Senhora das Graças, a qual funciona até os dias atuais. Essa escola foi criada devido
à iniciativa do Padre João Irenar Mlaniak com intuito assistencial ao povo ucraniano,
as irmãs lecionavam, catequizavam e davam assistência farmacêutica aos colonos.
(PREFEITURA DE RONCADOR, 1986, p. 4).

Chegando aqui, as irmãs foram recepcionadas pela população, em frente á
antiga capela de São Nicolau, momento em que o Sr. Paulo Gaioski dirigia a
palavra de recepção ás três pioneiras: Irmã Isabel Miguelina Susko, Irmã Eustácia
Melania Uhren e Irmã Dominica Paulina Starepravo. Em suas calorosas palavras
de recepção ressaltou a importância da educação, sem diferenças credo ou
classe social. Disse ainda que, as religiosas enfrentam neste momento com
grande heroísmo a sua missão neste torrão em plena mata verde, fazendo sua
vida um sacrifício em prol da comunidade (CIUPA, 2002, p. 18).

A Escola Nossa Senhora das Graças teve suas primeiras atividades no mesmo
local onde ocorriam as celebrações litúrgicas até o ano de 1953, neste ano o Sr.
Cláudio Silveira Pinto doou o terreno para a construção do prédio escolar. Inicialmente
sua estrutura era de madeira e possibilitou a acomodação de até 200 alunos de 1ª a
4ª série, que acolhia não só os colonos ucranianos, mas a comunidade em geral. No
ano de 1974 o prédio de madeira passou a ser de alvenaria, com 500 lugares, já em
1981 iniciou-se o trabalho com ensino pré-escolar e 1ª a 4ª série, contando com 300
alunos matriculados. (PREFEITURA DE RONCADOR, 2016, p. 39).

Evidencia-se, assim, a importância do trabalho dos padres e das religiosas
para a vida dos colonos nesse período da história, pois estes eram a solução para
qualquer dificuldade que ali encontrassem. Somente no ano de 1950 que o local
começou seu processo de desenvolvimento, aumentando sua população, abertura
de comércios como serrarias, posto de gasolina, farmácia, mercearia, entre outros.
A partir disso, em 1960 a localidade que era distrito de Campo Mourão se tornou
município através de sua emancipação política.

As famílias migrantes que colonizaram as terras de Roncador proporcionaram
o destaque de sua cultura neste espaço, impregnando-o com suas formas culturais,
não só religiosas, mas com sua língua, música e dança, isso pode ser visto com a
criação do Grupo Folclórico Ucraniano Vesná, que vem desde 1973 destacando as
tradições da comunidade de Roncador.

O fundador do grupo foi o Padre Marcos Heuko, que neste período atuava na
Paróquia de São Nicolau. Inicialmente o Vesná era composto exclusivamente por
jovens descendentes da cultura ucraniana, porém nas últimas gerações e atualmente
abrange integrantes de todas as culturas, crenças e etnias, é um trabalho com jovens
da comunidade para a divulgação e preservação da tradição cultural ucraniana,
celebrando a cultura por meio da arte, com a dança folclórica, teatro e oficinas, como
a oficina do coral Vesná.

Segundo Ciupa (2002, p. 18) “A palavra Vesná é de origem ucraniana que em
português significa primavera, eles acreditavam que nesta estação do ano os jovens
se sentem mais alegres, e mais dispostos a cultivar a vida, exaltando sua alegria em
forma de dança”.


Referências

Fonte: Letras, Linguística e Artes: Perspectivas Críticas e Teóricas 3

Atena editora 2019

Ivan Vale de Sousa (Organizador)


Capítulo 2 a 10.

A CULTURA UCRANIANA E SUA TRAJETÓRIA NO MUNICÍPIO DE RONCADOR – PR

Ana Flávia Slobodjan dos Santos

Loremi Loregian-Penkal

DOI 10.22533/at.ed.0551909102



[parte 1- Introdução]

No Ocidente, os ucranianos são calculados em cerca de 2 milhões. Destes, 150 mil vivem no Brasil e 120 mil no Paraná.
Os primeiros imigrantes ucranianos chegaram ao Paraná há mais de 100 anos, por volta do século XIX, inicialmente istalaram-se na
zona sudoeste do Estado, cujo clima para os europeus é favorável. No Brasil, houve duas grandes levas imigratórias vindas da Ucrânia, a primeira nos fins de 1895 que foi até o ano de 1930 e a segunda após a II Guerra
Mundial.

De acordo com Boruszenko (1995, p. 427), os primeiros imigrantes que desembarcaram no Brasil eram da Galícia, região ocidental da Ucrânia.
Os motivos que levaram à imigração para o Brasil foram devidos às imposições do Czarismo da Rússia e Ucrânia Oriental, e o abuso de poder dos senhores feudais do ocidente, ou seja, as pessoas estavam sobre grande opressão política e religiosa.
Sendo assim, partiram em busca de liberdade e melhores condições de vida, tanto
econômica como social.

Segundo Boruszenko (1995, p. 1), os primeiros imigrantes ucranianos que chegaram ao Paraná foram oito famílias vindas da Galícia, instalando-se próximo ao município de Palmeira, entre Curitiba e Ponta Grossa, onde fundaram a colônia de Santa Bárbara. A segunda fase da imigração ocorreu no início do século XX devido ao cunho político que se encontrava na Ucrânia e estes imigrantes foram chamados pelo Governo do estado do Paraná para trabalhar em obras públicas.

Boruszenko (1995, p. 428) relata ainda que após a Segunda Guerra Mundial emigraram mais de 200 mil ucranianos, refugiados políticos, que lutaram contra os russos e eram exilados para a Alemanha durante o nazismo em parte da Ucrânia.

No processo de colonização do município de Roncador, em 1923 chegaram as primeiras famílias ucranianas ao local, estes partiram de Guarapuava como Comissão Exploradora de Terras, tendo a missão de abrir o terceiro “Picadão”.
As famílias que chegaram a Roncador trouxeram consigo sua cultura, idioma, costumes, rito religioso e implantaram na nova colônia suas heranças trazidas da Ucrânia. (PREFEITURA DE RONCADOR, 1986, p. 3).

Neste contexto, pretende-se, a partir desta pesquisa, investigar a trajetória da imigração ucraniana no estado do Paraná, com ênfase na comunidade presente no município de Roncador, destacando seu processo de colonização e influência no desenvolvimento de sua cultura local, apontando suas principais características, tradições, ritos, língua, artes e costumes.





Referências
Fonte: Letras, Linguística e Artes: Perspectivas Críticas e Teóricas 3
Atena editora 2019
Ivan Vale de Sousa (Organizador)

Capítulo 2 a 10.
A CULTURA UCRANIANA E SUA TRAJETÓRIA NO MUNICÍPIO DE RONCADOR – PR
Ana Flávia Slobodjan dos Santos
Loremi Loregian-Penkal
DOI 10.22533/at.ed.0551909102

Ensaio virtual 📲 não tem a mesma graça, bom mesmo é estar fisicamente todos juntos! Com toda certeza voltaremos desta aproveitando cada minutos dos ensaios juntos 💛💙 Mas vejam só a energia dos nossos coreógrafos 👇 continua transbordando. E vamos nos adaptar e continuar vivendo esse amor pela dança, pela cultura a distância e com muita alegria 🤩




Passando para lembrar dos cuidados para proteger você e seus entes queridos do Coronavírus (COVID-19).
Informações do site ➡ https://coronavirus.saude.gov.br/sobre-a-doenca#transmissao

Como se proteger 👇👇
✅ Lave com frequência as mãos até a altura dos punhos, com água e sabão ou então higienize com álcool em gel 70%.
✅ Ao tossir ou espirrar, cubra nariz e boca com lenço ou com o braço, e não com as mãos.
✅ Evite tocar olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas. Ao tocar, lave sempre as mãos como já indicado.
✅ Mantenha uma distância mínima cerca de 2 metros de qualquer pessoa tossindo ou espirrando.
✅Evite abraços, beijos e apertos de mãos. Adote uma onda amigável sem contato físico, mas sempre com sorriso no rosto.
✅ Higienize com frequência o celular e brinquedos das crianças.
✅ Não compartilhe objetos de uso pessoal, como talheres, toalhas, pratos e copos.
✅ Evite aglomerações e mantenha os ambientes limpos e bem ventilados.
✅ Se estiver doente, evite contato físico com outras pessoas, principalmente, idosos e doentes crônicos e fique em casa até melhorar.
✅ Durma bem, tenha uma alimentação saudável e faça atividade física.

Vamos sair desta e logo estaremos todos juntos 🙏🙏

Fale com a gente: Contato