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A imigração ucraniana no Brasil

No Ocidente, os ucranianos são calculados em cerca de 2 milhões. Destes 150 mil vivem no Brasil, e 120 mil habitam no Paraná. Os primeiros imigrantes ucranianos chegaram ao Paraná a mais de 100 anos, por volta do século XIX, inicialmente localizaram-se na zona sudoeste do Estado, cujo clima para os europeus é favorável. No Brasil houve duas grandes levas imigratórias da Ucrânia, a primeira nos fins de 1895 que foi até o ano de 1930 e a segunda após a II guerra mundial. De acordo com Oksana Boruszenko (1995), os primeiros imigrantes que desembarcaram no Brasil eram da Galícia, região ocidental da Ucrânia.

A imigração dos ucranianos para o Brasil foi motivada pelas imposições do Czarismo da Rússia e Ucrânia Oriental, e o abuso de poder dos senhores feudais do ocidente, ou seja, estavam sobre grande opressão política e religiosa. Sendo assim, partiram em busca de liberdade, melhores condições de vida tanto econômica como social.

O território ucraniano estava sob o domínio da Rússia e do Império Austro-Húngaro, e a religião católica da Ucrânia estava reduzida à região da Galícia, sob domínio austríaco. A igreja sofria perseguições da Rússia (ortodoxa), e as condições de vida eram precárias, devido à fraca industrialização, apesar de que, a partir de 1880, na Ucrânia, tem início um surto industrial, cujo capital era, na maioria, estrangeiro, sendo este um motivo para a morosidade do progresso no setor” (HORBATIUK, 1989).

A chegada dos imigrantes no estado do Paraná

De acordo com Boruszenko (1995), os primeiros imigrantes ucranianos que chegaram ao Paraná foram oito famílias vindas da Galícia, instalando-se próximo ao município de Palmeira, entre Curitiba e Ponta Grossa, onde fundaram a colônia de Santa Bárbara. A segunda fase da imigração ocorreu no início do século XX devido ao cunho político que se encontrava na Ucrânia, onde estes imigrantes foram chamados pelo Governo do estado do Paraná para trabalhar em obras públicas. Por fim Boruszenko (1995) relata que após a Segunda Guerra Mundial emigraram mais de 200 mil ucranianos, refugiados políticos, que lutaram contra os russos e eram exilados para a Alemanha durante o nazismo em parte da Ucrânia.

A imigração ucraniana e o processo de colonização no município de Roncador – PR

No processo de colonização do município de Roncador os colonos-posseiros também estavam presentes, em 1923 chegaram as primeiras famílias ucranianas ao local, estes partiram de Guarapuava como Comissão Exploradora de Terras, tendo a missão de abrir o terceiro “Picadão”, “os caminhos primeiramente eram trilhas, picadas em matas fechadas, com muitos obstáculos como rios, rochas, subidas inclinadas, que dificultavam a vida dos tropeiros” (Steca e Flores, 2002, p.17), ou seja, ainda não havia um trecho que ligava Guarapuava, Campo Mourão e Mato Grosso. Quando passavam pela região acampavam próximos a um rio, que a noite com as ventanias formava um ronco alto em meio a copa dos pinheiros e a queda d’água, a partir disso deram o nome ao rio de Roncador, que mais tarde em julho de 1960, passou a ser o nome da cidade. (HISTÓRICO DE RONCADOR, 1986, p. 3).

Queda D’agua que originou o nome do município de Roncador
Fonte: http://wibajucm.blogspot.com.br/2011/06/roncador-nasceu-de-um-rio.html.

O município de Roncador localiza-se na microrregião Centro – Oeste do Estado do Paraná limita-se ao norte com os municípios de Luisiana e Iretama, ao sul com Palmital e Mato Rico, ao leste com Nova Tebas e ao oeste com o município de Nova Cantu. De acordo com o IPARDES (Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social), tendo como fonte os dados divulgados em 28 de agosto de 2015 pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) estima-se que a população atual do município é de 11.065 habitantes.

Localização do município de Roncador no Estado do Paraná.

Os desbravadores, ainda no ano de 1923, começaram a colonização do município, que se estendeu até o ano de 1925, onde aos poucos a densa mata e os pinheirais foram dando lugar a pequenas plantações e criações de suínos. As famílias que ali chegaram trouxeram consigo sua cultura, idioma, costumes e seu rito, implantaram na colônia de Roncador suas heranças trazidas da Ucrânia. (HISTÓRICO DE RONCADOR, 1986, p. 3)

A Ucrânia é um país repleto de tradições, artes e costumes, os imigrantes trouxeram consigo grande parte deste acervo cultural, como forma de preservar sua história em seu novo modo de vida. Destacam que buscam com estas tradições trazer um novo colorido á terra que os acolheu e lhes serviu de nova pátria. De acordo com Arroyo (1994), nós seres humanos somos culturais, nos construímos como tal em nosso processo de formação e humanização. Sermos sujeitos culturais não é algo acidental à nossa condição humana.

Evidencia-se que os descendentes de ucranianos, vindos para o município de Roncador no momento da sua colonização, conseguiram estabelecer suas representações e traços culturais na configuração espacial da região, sendo visivelmente identificados. Essa cultura proporcionou elementos que foram primordiais e determinantes para que o município de Roncador construísse sua identidade cultural atrelada à presença e atuação dos descendentes de ucranianos na região.

O desejo desta comunidade é manter a sua cultura e, sobretudo, a sua religiosidade nos moldes em que foram criados. Para tanto, é preciso ensinar o pouco que sabem e, como eles mesmos dizem, “não abandonar a terra-mãe.”.

REFERÊNCIAS

ARROYO, M, G. Depoimento. Revista Educação em Revista UFMG, v. 1, n. 32, p. 25-42, set. 1994.
BORUSZENKO, O. Os ucranianos. In: Boletim informativo da casa Romário Martins. 2. ed. Curitiba: Fundação Cultural de Curitiba, v. 22, n. 108, out. 1995.
_______. Caderno estatístico do município de Roncador. Roncador: Prefeitura Municipal de Roncador. Livreto impresso, 2016.
CIUPA, E. Roncador terra da fé. Livreto impresso, 2002.
HORBATIUK, P. Imigração Ucraniana no Paraná. Porto União: Uniporto, 1989.
PREFEITURA DE RONCADOR. História, pioneiros e atualidades. Roncador: Prefeitura Municipal de Roncador. Livreto impresso, 1986.
ZANELATTO, C. Quando Os Padrões São Símbolos. Revista Clichê, v. 1, n. 23, p. 1-14, jun. 2013.



Autora: Ana Flavia Slobodjan dos Santos

Acadêmica do 4º ano do curso de Fonoaudiologia da UNICENTRO – Campus/Irati – PR

Participou como orientanda voluntária da Profª . Drª. Loremi Loregian-Penkal (DELET/Irati) com o projeto intitulado “A cultura ucraniana e sua trajetória no município de Roncador – PR”, nos anos de 2015 e 2016, trabalho pertencente ao Programa Institucional de Iniciação Científica - PROIC, da UNICENTRO,  tendo como apoio a Fundação Araucária.
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